Futuro do jornalismo
A edição número 22 da revista “Jornalismo e Jornalistas”, editada pelo Clube de Jornalistas, tem uma crónica de J. M. Nobre-Correia, professor na Universidade de Bruxelas (ULB) e coordenador do serviço Média e Jornalismo do Departement des Sciences de L´Information et de la Communication da ULB. Desempenha ainda o cargo de director do Observatoire des Médias en Europe da ULB.
Este artigo aborda a questão das mudanças na prática jornalística. Considerei pertinente expor este artigo no meu último artigo neste blog da aula de jornalismo, devido às mudanças que este sector tem vindo a sofrer ao longo dos últimos anos.
Nobre-Correia começa por contextualizar a emergência do jornalismo, alegando que desde sempre houve uma relação deste com o poder, a política, com os meios económicos e financeiros. Daí afirma “a idade de ouro do jornalismo nunca existiu.”
Desde a Primeira Guerra Mundial verifica-se um progresso na imprensa, mas também foi notória uma concorrência desenfreada para conseguir atingir um público cada vez mais vasto “o que levou a um favorecimento do acontecimento em detrimento do curso das coisas.”
O aparecimento da rádio e da televisão em meados do século XX possibilitou aos cidadãos “confrontar a informação que lhes era proposta”. Por outro lado, a publicidade mudou a autonomia que a imprensa, rádio e televisão tinham em relação aos poderes.
No período entre as duas guerras, a publicidade foi fulcral na gestão das empresas de imprensa.
Hoje em dia, os jornais têm uma forte dependência da publicidade (cerca de 60 % a 70% das receitas). Isto levou a “uma pressão cada vez maior por parte dos anunciantes sobre o conteúdo dos media”, intervindo no estabelecimento da «agenda» e hierarquização da informação.
Além disto, cada vez mais a actualidade é fruto de um “trabalho metódico de serviços de imprensa, de direcções de comunicação e de agências de promoção de eventos, agindo em nome de empresas, instituições e associações”. O resultado é a perda por parte das equipas de redacção, de iniciativa na recolha dos factos e opiniões.
Nobre-Correia refere também a lógica de concorrência feroz na Europa, nomeadamente a proliferação de dezenas de estações, provocando uma anarquia nos princípios da prática informativa. O «interesse humano» derrotou a razão e fez com que os jornais preferissem uma componente lúdica na transmissão de informação.
Em relação ao desenvolvimento das tecnologias de telecomunicações, o autor destaca a possibilidade de a actualidade “poder ser tratada em tempo real”, ficando o jornalista com menos tempo para o trabalho de recolha, verificação e interpretação da informação.
Quanto à Internet, esta possibilita a qualquer indivíduo a recepção e emissão de informações, opiniões e análises.
Nobre-Correia é peremptório, “ os media e os editores «tradicionais», como os jornalistas «clássicos», perderam assim o «monopólio» secular da função de informar. O professor realça a importância dos anunciantes na economia global dos media e a incontornável questão da ética jornalística.
No entanto, apesar de este cenário pouco promissor para o futuro, persiste a crença na existência de “públicos dispostos a pagar por uma informação de qualidade concebida segundo critérios clássicos, devidamente actualizados, adoptados às necessidades actuais dos cidadãos e da sociedade contemporânea”.
Estamos numa sociedade dual, por um lado, a maioria da população terá acesso aos media gratuitos onde predomina a emoção e o divertimento, por outro a minoria que procurará informação de qualidade.
Assistiremos ao regresso do rumor, da propaganda e da publicidade. É por isso, fundamental a análise do modo de procura e produção de informação.
Fonte: www.clubedejornalistas.pt
Este artigo aborda a questão das mudanças na prática jornalística. Considerei pertinente expor este artigo no meu último artigo neste blog da aula de jornalismo, devido às mudanças que este sector tem vindo a sofrer ao longo dos últimos anos.
Nobre-Correia começa por contextualizar a emergência do jornalismo, alegando que desde sempre houve uma relação deste com o poder, a política, com os meios económicos e financeiros. Daí afirma “a idade de ouro do jornalismo nunca existiu.”
Desde a Primeira Guerra Mundial verifica-se um progresso na imprensa, mas também foi notória uma concorrência desenfreada para conseguir atingir um público cada vez mais vasto “o que levou a um favorecimento do acontecimento em detrimento do curso das coisas.”
O aparecimento da rádio e da televisão em meados do século XX possibilitou aos cidadãos “confrontar a informação que lhes era proposta”. Por outro lado, a publicidade mudou a autonomia que a imprensa, rádio e televisão tinham em relação aos poderes.
No período entre as duas guerras, a publicidade foi fulcral na gestão das empresas de imprensa.
Hoje em dia, os jornais têm uma forte dependência da publicidade (cerca de 60 % a 70% das receitas). Isto levou a “uma pressão cada vez maior por parte dos anunciantes sobre o conteúdo dos media”, intervindo no estabelecimento da «agenda» e hierarquização da informação.
Além disto, cada vez mais a actualidade é fruto de um “trabalho metódico de serviços de imprensa, de direcções de comunicação e de agências de promoção de eventos, agindo em nome de empresas, instituições e associações”. O resultado é a perda por parte das equipas de redacção, de iniciativa na recolha dos factos e opiniões.
Nobre-Correia refere também a lógica de concorrência feroz na Europa, nomeadamente a proliferação de dezenas de estações, provocando uma anarquia nos princípios da prática informativa. O «interesse humano» derrotou a razão e fez com que os jornais preferissem uma componente lúdica na transmissão de informação.
Em relação ao desenvolvimento das tecnologias de telecomunicações, o autor destaca a possibilidade de a actualidade “poder ser tratada em tempo real”, ficando o jornalista com menos tempo para o trabalho de recolha, verificação e interpretação da informação.
Quanto à Internet, esta possibilita a qualquer indivíduo a recepção e emissão de informações, opiniões e análises.
Nobre-Correia é peremptório, “ os media e os editores «tradicionais», como os jornalistas «clássicos», perderam assim o «monopólio» secular da função de informar. O professor realça a importância dos anunciantes na economia global dos media e a incontornável questão da ética jornalística.
No entanto, apesar de este cenário pouco promissor para o futuro, persiste a crença na existência de “públicos dispostos a pagar por uma informação de qualidade concebida segundo critérios clássicos, devidamente actualizados, adoptados às necessidades actuais dos cidadãos e da sociedade contemporânea”.
Estamos numa sociedade dual, por um lado, a maioria da população terá acesso aos media gratuitos onde predomina a emoção e o divertimento, por outro a minoria que procurará informação de qualidade.
Assistiremos ao regresso do rumor, da propaganda e da publicidade. É por isso, fundamental a análise do modo de procura e produção de informação.
Fonte: www.clubedejornalistas.pt



